Cantos de cego da Galiza e Portugal

Cantos de cego de Galiza e Portugal é un espectáculo sobre este personaxe singular na cultura universal e o seu repertorio musical a ambas beiras do Miño. Un conxunto de cancións de temática común: crimes, romances, parrafeos de namorados, desgarrada, feitos históricos,… relatos que, coma os ceguiños e ceguiñas, acompañaron a paisaxe sonora de feiras, romarías e rúas desde a Idade Media até case os nosos días.

Fundamentalmente con voz, zanfona e guitarra, mais tamén con concertina, harmónica, adufes e percusións miúdas. A partes iguais melodías galegas e portuguesas, recollidas en cancioneiros ou gravadas directamente a informantes de Mesía, Pinhel, A Guarda, A Fonsagrada, Viseu… Estas cancións foron gravadas recentemente para formar parte do primeiro disco do dúo: “Cantos de cego da Galiza e Portugal” (aCentral Folque, 2016).

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Texto tirado do CD Cantos de cego de Galiza e Portugal

“Tenham sido muitas ceguinhas e ceguinhos desde os tempos de Homero que transmitiram um saber popular feito de histórias fabulosas que alimentaram o imaginário de gerações e gerações. Uma atividade profissional que se perdeu deste lado do mundo, mas que continua viva noutros locais. Pessoas que nos palcos onde estava o dinheiro souberam captar a atenção da audiência: o campo da feira e da romaria, a rua da cidade, a casa de quem lhes dava pousada. Performersaudazes do seu tempo ou jograis medievais, souberam adaptar-se ao seu público. Um público generoso que ouvia e – desde que o povo sabe ler – comprava folhetos, corpus escrito de uma literatura de cordel muito rica e extensa: epopeias de heróis, vidas de santos, crimes horríveis de sangue, raptos e incestos, coplas picarescas, arrufos de namorados, historietas antigas ou relatos mais atuais.

Faltas de vista, mas com uma capacidade recordatória portentosa, levavam novas aos lugares que visitavam, criando, assim, um sentido de comunidade e um repertório geral de cantigas. Artistas populares para o povo. Ceguinhas e ceguinhos são a memória colectiva, o fio da transmissão oral do nosso imaginário.

Este é o nosso reconhecimento às pessoas que nos legaram as suas histórias. A todas elas e em especial aos informantes com quem aprendemos as canções que alimentam, neste disco, as nossas versões.”

Ariel Ninas e César Prata

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